sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Motoristas elegem carroças como grandes vilãs do trânsito

Aracaju possui uma frota de cerca de 230 mil veículos. É uma das maiores do país em termos proporcionais em relação à população. Se todos os 600 mil habitantes da capital resolvessem andar de carro, eles poderiam se locomover com folga, já que seria possível acomodar quase três pessoas em cada veículo.

Esse dado impressionante, contudo, não contempla as quase 3 mil carroças que circulam pela cidade. Elas dividem espaço com os carros e acabam contribuindo para que o trânsito da capital, já infernal, fique ainda mais congestionado. Não é à toa que os veículos de tração animal são apontados pelos motoristas como o vilão número um do tráfego em Aracaju.

"Além de sujar a cidade toda, as carroças e seus animais só atrapalham o trânsito. Elas andam muito devagar, não respeitam a preferencial e levam o caos para as ruas do centro. Acho que deveriam acabar com elas ou pelo menos restringir o tráfego à periferia", sentencia o taxista Evandro Barreto.

Mas decretar o fim das carroças na cidade é uma tarefa difícil. Afinal, não há lei que restrinja a sua circulação. A própria Superintendência de Transporte e Trânsito - SMTT - reconhece o problema. "Não podemos acabar com elas de uma hora para outra, pois os carroceiros dependem do transporte de fretes para sobreviver. Não podemos extingui-las sem oferecer uma alternativa de trabalho para eles", diz o compreensivo Jairo Alves, assessor da SMTT.

DEVAGAR E SEMPRE

Talvez não seja preciso o poder público decretar a proibição do tráfego de veículos de tração animal. A própria categoria dos carroceiros admite que não tem sido mais vantajoso se manter no ramo. "O movimento está diminuindo. Do jeito que vai, serei obrigado a largar esse serviço e voltar para o interior para trabalhar na roça", admite o carroceiro Eribaldo dos Santos.

O grande número de carroças e a adoção de serviços de pronta-entrega próprios pelas lojas que costumavam contratar a mão de obra dos carroceiros são apontados como as principais razões para que o negócio de fretes tenha deixado de ser atrativo. "Tiro cerca de R$ 400 por mês, mas a gente tem que trabalhar muito para isso. É difícil e não temos mais o apoio do sindicato como antes", denuncia o carroceiro Miguel Nunes.

REGULARIZAÇÃO

Os carroceiros reclamam que, desde que a SMTT começou o cadastramento dos veículos de tração animal há cerca de um ano, a situação mudou porque o sindicato deixou de fiscalizá-los. "Antes, tinha fiscal do sindicato que via se a gente fazia coisa de errada na rua. Agora, a gente pôs placa e tirou a documentação na SMTT, mas não vê proteção", reclama Miguel Nunes.

A SMTT afirma que a regularização dos carroceiros está em ritmo lento - apenas 800 dos quase 3 mil já receberam placa e documentação. O órgão garante que dá aulas de noções de legislação de trânsito a todos os cadastrados, embora os carroceiros digam o contrário. "Nunca recebi aula nenhuma da prefeitura", rebate Eribaldo dos Santos.

Foto: Ana Lícia Menezes


Fonte:Cinform.com.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário